Papo de Canto

Papo de canto #05 – Dança de salão
Hoje o nosso cantinho vai falar sobre Dança de Salão.
Gente, me contem o que está acontecendo com a Dança de Salão, porque eu acho que me perdi em algum momento.
Pra gente falar da dança de salão a gente precisa considerar um pouquinho a história ok, vamos lá retomar de onde é que saiu isso.
A dança de salão tem origem nas danças de corte de Luís XIV (nosso querido Luiz XIV que trouxe muitas coisas pra gente inclusive as danças de corte), danças de corte tinham um viés bem envolvente e interessante. Tinha um diálogo de corpos ali e várias outras questões históricas (que a gente deixa para um próximo papo). É sempre bacana a gente pensar nisso, numa dança que era pra gente ter um contato com outro numa época onde a gente não tinha tantos flertes assim, de uma forma positiva e sem muitas falas, numa linguagem corporal.
Essa dança de corte de 1635 /1638 vem pro Brasil em meados de 1915/1916, como dança de salão, porque ela acontecia nos salões, logo ficou conhecida como dança de salão que tinha também esta mesma proposta, de que as pessoas se conhecessem e que os corpos pudessem se balançar de uma forma diferente do que elas estavam acostumados. Tem um flerte acontecendo, tem uma conversa com outra linguagem que não a verbal. Maravilha! Chegamos em 2021 ainda nesse momento de pandemia alguma coisa tem acontecido com essa dança de salão, que hoje em dia eu assisto e fico pensando “gente que horas eles vão dançar juntos?” Porque as pessoas estão enlouquecidas, joga aqui, joga ali, e vira de ponta cabeça, levanta uma perna … Ufa, fico até sem fôlego!
Vamos considerar algumas coisas quando a gente quiser fazer uma dança de salão?
1 – Para que eu faça movimentos aéreos eu preciso ter muita técnica para não me machucar e se eu sou condutor, preciso de muita força para não machucar a pessoa que será elevada.
2 – Muitas vezes aquilo que a gente assiste enquanto entretenimento como programas de TV que mostram diferentes ritmos que cabem dentro da dança de salão e em 1 minuto e meio 2 minutos os casais precisam virar do avesso para que a dança deles seja mais interessante enquanto entretenimento e isso acaba sendo um recorte muito pequeno daquilo que a dança de salão pode oferecer aos casais.
Quando a gente faz uma dança de salão com a pessoa que a gente gosta, ou se a gente vai conhecer outras pessoas, a gente tem uma oportunidade de ter uma cumplicidade com essa pessoa. A gente trabalha (mesmo que de forma inconsciente) o dar, o receber, o se soltar, o confiar no outro… Não é fácil você ser elevado do chão, já tentaram? Não é fácil e se você é uma pessoa controladora é pior ainda! E além de ter uma dificuldade física existe uma dificuldade emocional do se deixar carregar
E mais do que você fazer 80 passos em 30 segundos, o gostoso é você curtir o momento. E o que eu tenho percebido das danças que eu assisto é que falta um prazer de estar naquele momento, de estar nos braços do parceiro. Quando falta este prazer de estar ali fazendo aquilo naquele instante a gente quer se mexer, ai então gira, joga pra cima e etc. Gente… Se a gente não consegue ficar nos braços da pessoa que nós estamos dançando por 1 minuto sem necessitar fazer um giro, uma elevação, alguma coisa assim o que será que tá incomodando? Será que é a dança mesmo ou será que tem alguma coisa com a gente?
Percebam, que se a gente está vivendo um tempo de coisas muito rápidas, pessoas muito ansiosas, muita pressa. Aonde a gente quer chegar com tanta pressa? E a gente está trazendo isso para o universo da dança, e não adianta porque a dança ela tem o seu próprio ritmo, não importa a pressa que eu estou.
Então o papo de canto de hoje quer trazer para a gente a reflexão do que a gente está fazendo com a nossa arte! O que estamos fazendo com a arte de dançar a dois? Nós estamos transformando-a apenas num conglomerado de malabares e, não desconsiderando toda importância dos malabares, mas ele tem o seu lugar, ele já conquistou um espaço próprio, mas vale a pena que a gente tire também o espaço que é próprio da dança de salão e dê espaço apenas para os malabares?
Será que a gente está tá tão envolvido com esses concursos de dança de salão, de quem é melhor ou é pior, que a gente não consegue sentar e assistir uma boa dança e entender o que e que aquela linguagem quer dizer no que e sutil? Ou a gente não consegue perceber dentro do nosso corpo mesmo, dos nossos momentos dançantes as sutilezas dos gestos, as sutilezas da condução? Vamos pensar!
Enfim, o papo de canto é denso e traz para a gente algumas reflexões e quero muito que a gente pense no que e que a gente está fazendo com a dança de salão e qual é a nossa responsabilidade em relação a isso. Comenta aqui embaixo compartilha com alguém, vamos discutir sobre isso. Grande beijo e até o nosso próximo papo de canto.
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Beijo grande, até o próximo papo!
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